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quarta-feira, 29 de maio de 2013

BOMBÁSTICO?!: Primeiras-Damas devem produzir "traidores" para não serem vítimas deles.

A QUINTA COLUNA

por Sylvio Carlos Galvão

Quinta Coluna é um termo usado para se referir a grupos clandestinos que trabalham dentro de um país ou região, ajudando a invasão armada promovida por um outro país em caso de guerra internacional, ou facção rival no caso de uma guerra civil. Por extensão, o termo é usado para designar todo aquele que auxilia a ação de forasteiros, mesmo quando não há previsão de invasão.[1]
A ação de uma Quinta Coluna não se dá no plano puramente militar. Assim como os demais partícipes de uma guerra, os elementos quintacolunistas agem por meio da sabotagem e da difusão de boatos. Em outras palavras, pode-se dizer que a força da Quinta Coluna reside tanto na possiblidade de "atacar de dentro", como na capacidade de desmobilizar uma eventual reação à agressão que se intenta.[2]
           Como se vê, a Quinta Coluna traz uma imagem associada à traicão. E a Primeira-Dama deve ter a sua própria Quinta Coluna. Espanto? Não há motivo.
Produzir traidores não é uma estratégia muito bem aceita nos círculos militares, de espionagem ou até mesmo, em alguns casos, no setor empresarial – o que não quer dizer que há toda certeza que não sejam produzidos os traidores nessas áreas. Mas, tampouco tal estratégia seria bem vinda para a classe política, se a Ética não andasse tão mal vestida como se tem apresentado nos salões do poderio no mundo todo.
Prosseguindo, a Primeira-dama não se enquadra em nenhum dos círculos anteriormente citados (militar, espionagem, corporativo e o genuinamente político). Ela assume uma função institucional que lhe dá mais liberdade para sua ações, dentro dos parâmetros da Lei e da Ordem. Sendo assim, tem a libertade plena de produzir sua Quinta Coluna através de um processo de imantização dos já nascidos traidores, tornando-os úteis. Ou seja, a Primeira-Dama não precisa doutrinar alguém para ser um traidor (o que a faria vacilar em seu caráter), mas utilizar-se das serpentes que esparramam-se no poder público e em seus arrebaldes. Os que estão dentro e os que estão à margem a espreita de uma brecha,e, ainda, os “quintacolunistas” de outros regimentos.
Para que isso seja possível sem danos aparentes e premeditados, o instrumento mais servil para essa estratégia é a desinformação. A desiformação plantada no momento e locais corretos, e para as pessoas corretas, colocará os traidores em colunas próximas à Primeira-Dama. Isso se justifica porque a obsessão desses traidores em atacar o mandátio através da Primeira-Dama não lhes abandonará tão cedo, assim como um tipo de dependência à ela uqe lhes será imputada imobilizado-os na direção que pretendem. A confusão oriunda disso os organizará, e só terão dois caminhos a escolher: ou seguem como coluna da Primeira-Dama e recebem os petardos de seus aliados, ou destroem-se a sim mesmos, envergonhados, sendo, portanto, mais útil o desfazimento da referida coluna por vontade própria dos “colunados” ao se verem em situação desconfortável e perigosa,  politicamente falando. Neste último caso, a primeira-dama poderia criar com os sobreviventes desse êxodo, outra Quinta Coluna para blindar o mandatário. Esta é a função dessa Coluna dentro do nosso propósito, onde reconhecemos bem a diferença com a visão belicista do início do século passado.




[1] Conf. Wikipédia, acessada em 6 out. 2010.
[2] Idem, ibidem

Trecho do Livro: "A Primeira-Dama e sua Intimidade com o Poder" (Editora Tecido Verbal), no prelo.

Sugestão de Leitura:

terça-feira, 28 de maio de 2013

A Engenharia do Consentimento de uma Primeira-Dama


por Sylvio Carlos Galvão

            Duas coisas são evidentes: conseguir o consentimento de alguém para obter ou realizar algo exige o mínimo de inteligência. Uma segunda evidência é que não é apenas a necessidade que nos move a buscar algum tipo de consentimento, mas o desejo de realizar algo que produza benefícios comuns, ainda que a necessidade não exista assim de imediato. Muitas vezes notamos que havia uma necessidade suprimida por motivos vários e que ninguém ainda havia atentado para tal.
            Para a Primeira-Dama consciente de seu papel social, essa segunda evidência é muito importante pois lhe dá destaque. Ou seja, ver o ninguém vê; perceber o que ninguém percebe; pisar em solo antes nunca pisado, e disso tudo tirar bons frutos para a comunidade que representa é, no mínimo, digno de reconhecimento dentro e fora da circunscrição na qual atua.
            Muitas vezes, em muitos lugares, o “Social” de uma Administração Pública limita-se à assistencialismos e eventos benemerentes. Muitas vezes os administradores, e mesmo a própria população não veem um mundo de possibilidades que lhes possam render aumento de arrecadação, no primeiro caso, e qualidade de vida, no segundo. Isso se dá porque a Administração Pública moderna é quase sempre engessada tanto nos recursos quanto na doutrina histórica de que administrar é fazer um bom governo atendendo as necessidades básicas da população. Óbvio que sim, mas não é isto que se discute aqui: criar, inventar, inovar em direção à mudança de status da localidade, no caso um município é tão importante – ou mais - para o município e seus amdinistrados quanto seguir a cartilha republicana do só-gaste-o-quanto-ganha. Pelo contrário, pode-se ganhar mais inovando sempre, sem gastar muito. É aqui, neste momento, que se pretende o “mínimo” de inteligência proposto na primeira evidência antecipada.
            Não há dúvida de que encontros, seminários, visitas, conferências, enfim reuniões de convergência, seja qual ela for, são ótimas fontes de potencializar a capacidade de inovação de um município através das pessoas escaladas para o comparecimento nesses eventos. Secretários Municipais, em geral, devem ser as pessoas ideais para isso; prefeitos e assessores também, muitas vezes; porém, sem o mesmo teor de responsabilidade, a participação nesses eventos é quase uma obrigação de uma Primeira-Dama. Primeiro porque nesses encontros o “conhecimento” está presente e à disposição de quem dele queira tomar posse. Em segundo lugar, é uma aparição pública da qual não se pode abrir mão – é exposição de imagem. Em terceiro e último lugar, nesses encontros não se conhecem apenas idéias – e/ou reclamações – mas, conhece-se gente, gente diferente, gente interessada, gente inteligente, gente em exposição. Algumas dessas gentes, podem ser um caro legado do destino a uma Primeira-Dama verdadeiramente atuante, assim como o inverso também pode – e deve ocorrer. A troca de experiências municipalistas é mais importante do que qualquer debate de temas pré-fabricados em eventos como esse. A Informação é o bem mais importante; pessoas têm informação para passar ou trocar.
            Agora, também convém dizer sobre as idéias originárias de uma mulher que tem o marido como o centro do Poder. Nenhuma idéia pode ser considerada ridícula, pois idéias são sementes. E, se a primeira-dama que teve uma idéia não se sentir confortável para apresentá-la ao marido – sempre antes de apresentar para outra pessoa pública -, deve recorrer a seus assessores mais próximos e de confiança para lhe ajudarem no amadurecimento da ideia. Porém, por uma identidade pessoal que temos com a relação eleito-eleita, confiamos na boa produtividade de uma conversa informal sobre “ideias” da esposa com o marido, longe dos portais palacianos, pois, na maioria das vezes, entendemos que deva haver cumplidade do casal in totum, e, se esta não houver, está aí mais um desafio para uma Primeira-Dama vencedora: conquistar a cumplicidade do marido, a qualquer preço!

            Nesse percurso, voltamos a questão do consentimento, pois até mesmo a cumplicidade exige uma certa dose de consentimento de ambas as partes.


Em tempo: o termo e o conceito moderno da Engenharia do Consentimento foi disseminado pelo dr. Walter Félix Cardoso Júnior, que em 2001, publicou um artigo sobre o assunto. O dr. Félix é membro da ABRAIC-Associação Brasileira dos Analistas de Inteligência Competitiva.