Este é mais um trecho do livro "A Primeira-Dama e sua Intimidade com o Poder", no prelo, do escritor Sylvio Carlos Galvão, e considerado um dos temas mais "polêmicos" tratados no livro. Não está na íntegra por questões de direitos autorais, mas dá pra se ter uma ideia do que a I Conferência das Primeiras-Damas vai levantar em debates. Vale a pena ler:
do LIVRO
A mulher-esposa e a
mulher-eleita (parte 2)
Sublinhadas as diferenças entre as
performances da mulher na política de engajamento, aquela na qual a mulher de
um político de braços enlaçados com ele entra num território tanto deslumbrante
quanto pantanoso, é momento de alertar nossas Primeiras-Damas dos novos
cuidados aos quais elas devem estar atentas para ser um instrumento útil de
governo, ao mesmo tempo que edifiquem seu lar sem permitir que o câncer
político nele se instaure de maneira indomável, metastásica. Não é uma tarefa
fácil, porém menos penosa para uma mulher preparada para este desafio que exige
a “boa luta” deturpada pelo homem-político que se rende fácil às agruras do
Poder quando ameaçado covardemente pelos jogos de interesses já citados.
Para tanto, antes de aceitar o desafio,
ou mesmo que já o tenha aceitado, a Primeira-Dama, ou candidata ao posto, venha
ter um tranquilo sucesso, faz-se necessário um exame minucioso e solitário de averiguação comportamental, o qual sugiro neste capítulo.
Para que a PD “revele-se”, antes é
preciso que ela faça “descobertas tipológicas”.
As principais tratam de descobrir:
ü Que
tipo de homem tem ao seu lado?
ü Que
tipo de marido dorme consigo?
ü Com
que tipo de político anda de braços dados?
Pegando pesado?! Calma, é só o começo: a
vida política também não é feita para amadores. Fazendo estas primeiras
descobertas, as demais passam a ser entretenimento.
Preferencialmente sem afastar o durante, a
PD deve antes “descobrir-se”
profundamente, “recriando-se” continuamente a cada resposta obtida para
a averiguação anteriormente proposta.
A este processo costumo chamar-lhe de um
“Inventário da Vida”, útil, senão essencial a uma PD contemporânea.
O
Inventário da Vida
Não é possível transformar-se numa dama do
lar em uma dama de todos os lares sem algum tipo de punidade ou de agraçamento.
Toda mudança expõe pontos fortes e fracos, oportunidades e ameaças exatamente
como pregam os entendidos de marketing. A vida é sim multidisciplinar a partir
de dentro de nós e nossos lares e por isso que a aprendizagem contínua, tanto
formal quanto informal, é um dever e não direito de quem quer ter vida longa
com qualidade de vida. Além de tudo isso, nunca se pode deixar passar uma verdade
incontornável que é a presença de riscos em todos nossos momentos. Devemos
saber nos proteger deles e se possível for sendo melhor ainda, transformá-los
em vantagens.
Levando o que foi dito a sério, constata-se
que a transmutação da mulher-esposa para mulher-eleita apresenta-se conturbada
sem necessariamente ser um Caos instalado. Mesmo porque depois da mudança
digerida, a PD continuará sendo as duas mulheres simultaneamente, servida de
sua inteligência natural ou aprimorada através dos estudos, do seu capital
feminino e do seu capital erótico, e, por fim, do seu comprometimento com a
institucionalidade de sua nova função pública.
O proposto Inventário de Vida aqui é de
caráter observacional apenas, para que seus próximos passos sejam coerentes com
a vida que tem. As mudanças que ocorrerão – pois nada neste mundo é estático -,
desta forma ocorrerão com coerência, sutileza e foco.
Por exemplo, identificados comportamentos
incômodos no marido, não é um bom negócio tentar mudá-lo em nenhum caso. O
fruto do convívio, agora com a Primeira-Dama ciente de que mudanças não são
promovidas a partir do passado, mas do presente, essa nova visão passará a ser
seu valioso norte. No entanto, quando necessário chamá-lo à Terra de volta na
condição de pai e/ou marido, faça-o na intimidade do lar, sem se esquecer que
na vida pública todos os telhados são de vidro, inclusive o seu.
Já, a condição de marido-político deve ser
admitida como uma zona ambígua e
tratada como tal, com cuidados extras. Nesse caso, o chamamento para esta
condição tem formas diferentes num espectro cruel. Elas vem do self do político à esperança do povo; do
controle do Estado à miopia da oposição dissimulada.
Contudo, entendo que a PD deva ser sempre cúmplice do seu marido, nunca sócia dele, sobretudo nos seus
desempenhos exercitantes do Poder.
Como cumplicidade e sociedade podem ser palavras
usadas em contextos bem diversos e bem distintos, cabe aqui uma
contextualização própria em meus propósitos de orientar as PDs.
A cumplicidade, quando vista do perfil
romântico que muitas vezes lhe atribuem, é benéfica até certo ponto. Ou seja,
cúmplices de quem amamos nas variadas formas de amar, nunca desprezamos nossos
princípios, valores, moral, etc. Supõe-se que, se nos assumimos cúmplices de
alguém nesse sentido, é que a pessoa aliada a nós tem sintonia com nosso modo
de ver as coisas. Veja bem: sintonia não se confunde com absoluta e irrestrita
“concordância” com o que pensamos ou fazemos.
Pois bem, a cumplicidade nesse matiz
pressupõe que eventuais desencontros idealistas encaminham o par para o “bom
diálogo”, sempre. Todavia, por não haver a tal concordância absoluta e
irrestrita inerente ao livre-pensamento e escala de valores de cada um, essa
cumplicidade pode ser deteriorada pela “ausência” do diálogo, o que é pior do
que uma guerra de nervos entre os sexos.
Não existindo o diálogo entre os cúmplices,
estão abertas as portas para a mudança de valores numa velocidade e num
potencial abruptos, sem que um ou outro perceba. Ocorrida essa mudança de
valores, e que tais levem a desastrosos procedimentos de uma das partes, não há
que se falar que a cumplicidade não deva ser quebrada. O limite da cumplicidade
são nossos próprios princípios, aviltados.
Contudo, convém mencionar que briga de casal
não deve influir na cumplicidade mútua, porque mesmo sendo “briga”, o canal do
diálogo “ainda” está aberto e passível de reparações. Mas, a ausência
dele...preocupa mesmo!
Já, no caso anotado aqui como “sociedade”, o
contexto é único. Sendo um tipo de parceria – tanto quanto a cumplicidade, é
fato – a PD ser sócia do seu marido no exercício do poder evoca uma condição
emprestada do ofício contábil que é uma certa divisão de “lucros”.
Mas atenção, Primeira-Dama, o capital
político é indivisível. Não se iluda com lucros superficiais. E quando tal
lucro for da ordem das finanças angariadas em suspeitas operações políticas,
siga em frente se quiser, mas não se esqueça de que sua consciência vai
acompanhá-la por toda a vida. Tanto quanto a Polícia Federal. A CUMPLICIDADE ATA, A SOCIEDADE EMPATA.
Tipos de Maridos-Eleitos:
O
MARIDO PROBLEMÁTICO
O
MARIDO EXTEMPORÂNEO
O
MARIDO AUTO-SUFICIENTE (SELF-MADE-MAN)
O
MARIDO PÓS-MODERNO.
.......continua no Livro "A Primeira-Dama e sua Intimidade com o Poder"

Nenhum comentário:
Postar um comentário