
Por Sylvio Carlos Galvão
A lamentável morte de Nestor Kirchner, ex-presidente e primeiro-cavalheiro da Argentina, não passará como um evento que passará despercebido pelas Américas, sobretudo pela América Latina. Esta morte produziu uma viúva poderosa e perigosa, tanto quanto bonita e corajosa.
Cristina Kirchner tinha em seu marido seu maior aliado político e, ainda que não ele fosse um mito para aquele país, era acelerador e freio, simultaneamente, das atrocidades políticas que a presidenta tem cometido desde que substituiu o marido na presidência.
O papo de que Nestor era o verdadeiro mandante da nação pelos bastidores, sempre foi sandice. Mas que o ex-presidente possuia suas habilidades conjugais para provocar a fúria de sua mulher na busca intrépida pela liderança regional da Argentina (e dela, Cristina!), disso não se pode duvidar nunca. Basta aguardarmos as múltiplas biografias que virão estampar-se nas livrarias do mundo todo para se saber - e compreender as razões - de quem era pescoço e quem era cabeça nessa aliança político-conjugal.
Não será nada parecido com Evita e Perón, claro. Todavia, Cristina só, é sim, mais forte do que o casal junto, ao passo que presidentes populistas latinos a tem como jóia rara da nossa América.
Lamento realmente a morte de Nestor pela pessoa generosa que demonstrava ser, não como político, contudo lamento mais ainda - e antecipadamente - o que pode acontecer à Argentina daqui para frente quando a condutora não pode mais contar com o freio, só com o acelerador da máquina, na figura de populistas irresponsáveis com o futuro da região.
Condolências, argentinos!
Nenhum comentário:
Postar um comentário