quarta-feira, 2 de junho de 2010

Oriente Médio: a revolução silenciosa pela mão das mulheres belas e poderosas

Depois da belíssima Princesa Rhania, da Arábia Saudita em suas ações humanitárias, surge ousadamente a "Primeira-Dama" do Catar quer transformar o emirado num centro mundial de referência em educação (além de se mostrar disposta a "ofuscar a inofuscável Carla Bruni", Primeira-Dama Francesa). Bom lembrar, que Mozab é a segunda esposa do Emir, porém as duas-primeiras não aparecem em público. O Chefe de Estado faz questão de ter Mozab ao seu lado, e um de seus descendentes como sucessor legítimo ao trono.


SHEIKA MOZAB (fotos): Linda, imponente, vestida pelos maiores costureiros e cheia de projetos de ponta, a mulher do emir do Catar faz a ponte entre religião tradicional e modernidade.

A Revista Veja de maio de 2006 publicou uma matéria instigante e completa que faaz analogia aos "turbante de idéias".

A matéria está reproduzida na íntegra. Vale a pena!




Título Original: Quando o Islã rima com Louboutin

Quem conhece Londres já viu as mulheres árabes ricas que adoram comprar na Harrods. Só para se ter uma ideia da escala em que vive Mozah bint Nasser Al Missned: ela comprou a Harrods. Um negociozinho de 2,1 bilhões de dólares. Quer dizer, não ela propriamente, mas o marido, o emir do Catar – aliás, nem ele, mas o fundo soberano que administra as riquezas do pequeno mas riquíssimo país do Golfo Pérsico. O que não significa que a sheika Mozah, como é chamada, será em breve vista batendo os saltos Louboutin na famosa loja de departamentos.


Foto: A skeika viaja à Europa para abastecer seu guarda roupa com as melhores grifes da alta-costura

Ela tem coisas mais importantes para fazer, como transformar o emirado que era pouco mais do que um entreposto de beduínos antes do advento do petróleo num centro mundial de referência em educação. Enquanto a transposição da tribo para a sociedade do conhecimento não se concretiza, Mozah dispara como esplendorosa representante do estilo Islã chique, unindo simultaneamente modernidade e respeito pelas convenções religiosas. Ela só usa vestidos longos e cobre os cabelos com uma espécie de turbante, deferência à modéstia demandada no Corão em termos tão sujeitos a interpretação que podem ir da burca completa até aquele veuzinho na cabeça de Jeannie é um Gênio. Mas o simples fato de ser vista e fotografada, seja ao lado do marido, seja sozinha, em missões de alto nível mundo afora, já é um espanto em si.


Foto: Com um longo xale, caminha durante Conferência de Educação no Iraque

Mulheres de governantes de países árabes ultraconservadores não aparecem em público nem cobertas de negro da cabeça aos pés, que dirá de rosto, e um pedacinho de cabelo, à mostra. Mozah tem 50 anos, sete filhos e zero de barriga. É a esposa número 2, embora jamais as outras duas tenham aparecido e sejam consideradas frutos de uniões de conveniência, para consolidar alianças tribais ainda fundamentais num emirado como o Catar.




Mozah já conseguiu passar o filho mais velho, antes o número 3, na frente da linha sucessória. O marido só desfila em público com Mozah e até já foi fotografado em pose afetuosa com ela, outra novidade impensável pelos padrões mais rígidos. "Eu tenho todo o tempo do mundo", declarou, com bom humor, em entrevista à revista Time. "É ela quem tem a agenda sempre cheia."


Foto: Ela só usa vestidos longos e cobre os cabelos com uma espécie de turbante.

Para cada um desses compromissos, um figurino à altura das riquezas do Catar, país que tem a segunda maior renda per capita do mundo – 121 700 dólares. Em jantar no Palácio do Eliseu oferecido pelo primeiro-casal francês, em junho passado, Mozah conseguiu ofuscar a inofuscável Carla Bruni com um longo cereja do costureiro Jean Paul Gaultier acompanhado de um cinto todo cravejado não de cristais, como é normal entre as súditas, mas sim de pérolas e brilhantes de verdade. Em outras, o visual monocromático seria até cafona. Mas Mozah, que pelo porte imponente e pelos traços fortes lembra Farah Diba, a mulher do último xá do Irã, segura qualquer modelão.


Foto: Sheika participa de evento da Qatar Foundation Publishinhg Project, no Castelo de Windsor, ao lado da rainha Elizabeth

Nascida em uma família de comerciantes de uma pequena cidade do Catar, Mozah cresceu no Cairo e se formou em sociologia. A ideia de transformar o Catar em algo mais do que um imenso shopping center parece ser fruto de um projeto verdadeiramente conjunto dela e do marido, um homenzarrão bigodudo que precisou resolver alguns probleminhas antes de chegar ao poder (por exemplo, depor o próprio pai, dizem que por telefone), mas tem, sim, visão de futuro e até certas propensões democráticas, comparativamente falando.

Mozah está de longos prontos para vir ao Brasil, onde participa, nesta semana, do terceiro fórum Aliança de Civilizações, no Rio de Janeiro, onde tem fãs à espera. "Ela é a mulher mais linda do mundo", suspira Marília Carneiro, figurinista da Globo, que tem várias fotos de Mozah coladas por seu escritório. "Acho tão lindos aqueles turbantes que ela usa que vou encher as atrizes da nova Ti-Ti-Ti de panos na cabeça." Turbantes com ideias ficam mais interessantes ainda.

(BEM NA) Foto: Aos 50 anos e sete filhos, a sheika ostenta beleza e forma invejáveis.

Fonte: Revista Veja ed. 2166
Título original: "Quando Islã rima com Louboutin"
Fotos:Fotos Sipa Press, Abacapress.com, AFP e AP
Diagramação e comentários adicionais: Revista AtrevidaX







Nenhum comentário: